domingo, 12 de agosto de 2012

AMOR X PAIXÃO


Já faz tempo que o amor e a paixão deixaram de ser assuntos exclusivos de poetas, seresteiros e amados e amantes de plantão. Viraram objetos de estudo da ciência , que anda nos laboratórios desvendando os seus mistérios. Na Inglaterra, um grupo de cientistas acaba de mapear como a paixão atua no cérebro. Estudos também mostram a ação das emoções no organismo humano. Há até uma pesquisa que prova que a paixão tem data certa para acabar. Pouco romântico? Nem tanto.
Cientificamente falando, o amor e a paixao são sentimentos muito diferentes. Melhor: provocam reações absolutamente distintas no organismo de quem está apaixonado  ou amando. E isso é uma questão puramente bioquímica. Tem mais a ver com a cabeça do que com o coração. "As pessoas que estão vivendo uma paixão muito intensa têm uma descarga maior no cérebro dos neurotransmissores do grupo das anfetaminas, entre eles a adrenalina, que são estimulantes naturais do organismo", explica Nelson Vitiello, ginecologista, terapeuta sexual e presidente da sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. Resultado: bate, bate e bate o coração. Literalmente. O coração do apaixonado é mais acelerado do que o de qualquer outro mortal. "As características normalmente atribuídas à paixão, como a taquicardia, a euforia e o frio na barriga, são consequências da ação do excesso de anfetaminas no corpo", diz  Nelson.
Tem mais: a paixão emagrece. Muito mais do que qualquer dieta. "Alguns remédios para emagrecer são à base de anfetaminas, sintetizada em laborátorio. Como o apaixonado tem a substância de sobra no organismo, ele termina perdendo o apetite", conta o ginecologista. Ou seja, por conta de tanta adrenalina, os apaixonados - mais apaixonados mesmo - não comem, não dormem, não fazem outra coisa senão pensar no objeto da sua paixão.
E como falam. São seres tagarelas pela própria natureza do que estão sentindo. "Eles falam muito. Mas o assunto é um só: a pessoa amada. O quanto ela é bonita, interessante, engraçada, criativa, inteligente... Para quem está acompanhando a história de fora, o sujeito pode parecer um chato de galochas", comenta o ginecologista.
Mas nada que iniba os apaixonados no auge da sua paixão. Namorando há um ano e meio o fisioterapeuta Pedro, a estudante de medicina Cláudia não foge às descobertas científicas. Perdeu dois quilos desde que começou a namorar e não passa cinco minutos sem falar do namorado. " As pessoas dizem que o Pedro é uma pedra no caminho delas. Sei que ninguém aguenta mais ouvir as minhas histórias, mas não consigo deixar de falar. É como se eu revivesse todos os momentos em que estamos juntos'' justifica. Pedro e Cláudia são apaixonados típicos. Do tipo que não consegue dormir sem antes dar uma ligadinha só pra dizer "boa noite". Mesmo que tenham acabado de jantar juntos.
Já se o que sentissem um pelo outro fosse amor, provavelmente esperariam até o dia seguinte para dar o telefonema. "Este é um sentimento mais tranquilo. Não se alimenta de ansiedade como a paixão'', diz o psiquiatra Luiz Otávio de Castro. No cérebro das pessoas que amam o neurotransmissor mais atuante é o do grupo das endorfinas, cuja substância mais conhecida é a morfina. Isso mesmo: o amor dá aquele barato legal - mesma sensação que têm os viciados em drogas. "Quem está amandoe, é claro, é correspondido, tem uma sensação de paz, prazer, de estar completo. A pessoa não fica o tempo todo pensando no objeto do seu amor, até porque se sente mais segura em relação ao sentimento'', diz o psiquiatra.
Prazo de validade - Diante das descobertas da ciência, cabe dizer que um grande amor pode até durar para sempre e a paixão é passageira. Há até quem garanta que ela tem data certa para acabar. Um grupo de cientistas americanos  é categórico em relação ao assunto: a paixão dura no mínimo 12 meses e no máximo 30 meses. A conclusão do estudo, liderado pela psicóloga Doroty Tennov, faz todo sentido para a sexóloga e psicanalista Regina Navarro Lins: " O cérebro humano não suportaria manter tamanha excitação eternamente''. É sabia a natureza humana. "A paixão, ao contrário do amor, é calcada quase que exclusivamente no ardor sexual. É um sentimento radical, arranca as pessoas das suas obrigações cotidianas. Se durasse muito tempo levaria a pessoa literalmente à loucura", diz a sexóloga. Tanto que a origem etimológica da palavra paixão é pathos, que também significa patologia, doença. Para os gregos a paixão significava antes de tudo um descontrole emocional...
 Extraí do livro que estou lendo e que estou adorando:
Psicologia Organizacional de "VILMA CARDOSO REGATO''

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